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Selecionada no Edital Nacional 2010 do Natura Musical, a cantora lança álbum inédito e fará turnê de shows passando por várias capitais brasileiras.
Consagrada como a melhor cantora de MPB no último Prêmio da Música Brasileira, Roberta Sá lançou, no dia 24 de janeiro, seu quinto disco, Segunda Pele (MPB Discos e Universal Music). Das 12 canções do álbum, sete são inéditas e uma delas - No Bolso - foi composta por Roberta em parceria com Pedro Luís.
Com direção musical de Rodrigo Campello, grande parceiro de Roberta, o disco conta com direção vocal e de coro de Felipe Abreu. No repertório há canções de Caetano Veloso (Deixa Sangrar), João Cavalcanti (O Nego e Eu), Rubinho Jacobina (Bem a Sós), Dudu Falcão (Você Não Poderia Surgir Agora), Carlos Rennó e Gustavo Ruiz (Segunda Pele), Pedro Luís e Mário Sève (Lua), Lula Queiroga (Altos e Baixos e Pavilhão de Espelhos), Moreno Veloso, Quito Ribeiro e Domenico Lancellotti (A Brincadeira), Wilson Moreira (No Arrebol) e Jorge Drexler (Esquirlas). O preço médio do disco é R$ 24,90.
A turnê de lançamento de “Segunda Pele” começa no dia 1º de março, em Salvador, seguindo para Recife (dia 3), Rio de Janeiro (dia 10, na Fundição Progresso), Porto Alegre (dia 16) e Curitiba (17/03); mais datas serão anunciadas em breve. Com patrocínio da Natura, Roberta Sá vai percorrer as cinco regiões do país.
“Roberta Sá é uma das grandes cantoras da nova geração da música brasileira e, para nós, é muito especial poder contribuir para esse novo trabalho, incluindo a temporada de shows que ela irá fazer em todo o Brasil e com ingressos a preços populares. Para o Natura Musical seu trabalho traz frescor para nossa música e dialoga com diversos públicos, e isso vem ao encontro do conceito do programa”, destaca Karen Cavalcanti, gerente de marketing institucional da Natura e responsável pelo Natura Musical.
A nova pele que habita Roberta Sá
“Calor, desejo, flerte, feminino e tropical”. Um disco com esses predicados enunciados por sua própria solista só poderia ter um título como Segunda Pele. Com licença de Almodóvar, a pele que Roberta Sá habita em seu quinto disco é mesmo de arrepiar os poros. E por muitos outros motivos, além da faixa-título de Carlos Rennó e Gustavo Ruiz, considerada “bem sensual” pela cantora (“quando ele vem/ faço dele minha luva, o meu collant”), assim como a sapeca Bem a Sós, de Rubinho Jacobina (“se eu me vejo nua/ ninguém pode reparar”) e o rastro de perfume deixado pelos requebros do samba O Nego e Eu, onde o autor João Cavalcanti, do Casuarina, delineia uma personagem feminina de traços melífluos: “Gosto de ser vista pelas festas/ ser seguida pelas frestas/ protagonista do sonho alheio”.
Roberta reconhece essas características em trabalhos anteriores, “mas tudo era mais delicado e discreto, e nesse é mais explícito”, diferencia. E acrescenta à lista a exuberante abertura, Lua (“faz o sóbrio enlouquecer/ todo ébrio é poeta/ quando olha pra você”), de Mário Sève e Pedro Luís. Ela nasce mansa e ganha a percussão massiva de A Parede, forrada pelos sopros orquestrados pelo perito Mario Adnet, pós-graduado na matéria nos trabalhos com Moacir Santos. “Lua não deixa de ser uma declaração de amor. Acho que todas têm essa pegada”, anuncia Roberta.
Gravado entre julho e novembro de 2011, o disco produz outro arrepio que não é de frio, como frisa a letra de Segunda Pele. Num repertório tecido preferencialmente com inéditas de contemporâneos (“não queria fazer muitas regravações desta vez”), chama atenção a diversificação de timbres e texturas das orquestrações. “Conversei muito com o Rodrigo Campello (arranjador e produtor do disco, em cujo estúdio MiniStereo foram feitas as principais gravações) e nos inspiramos nos arranjos do Rogério Duprat, nos bons tempos em que as gravadoras tinham orquestras contratadas. A gente sonhava com um disco cheio de sopros desde o ‘Braseiro’ (o da estreia, em 2004). Pela primeira vez tivemos a chance de colocar todas as ideias em prática com conforto, algo finalmente possível por causa do patrocínio da Natura. Eles não interferem em nada no processo criativo e querem ver a música acontecer. Chegamos aos arranjadores muito diferentes e igualmente talentosos com os quais gostaríamos de trabalhar”, conta, extasiada com o timaço de músicos arregimentados para a gravação. “Isso tudo é pra mim?”Claro, e é preciso ser a grande cantora que é Roberta Sá para dar conta de tão sedutora moldura.
Além de Campello (“ele é do mundo”), autor da maioria dos arranjos, e Adnet (“luxuoso, elegante”), há a Orquestra Criôla de Humberto Araújo (“eles são da rua, da gafieira, do baile”), uma mistura explosiva que acentua a intensa pulsação do roteiro. Há espaço até para uma epitelial bossa nova, Você Não Poderia Surgir Agora (Dudu Falcão) com direito a um piano jobiniano, do neto do homem, Daniel Jobim. Moreno Veloso, Quito Ribeiro e Domenico Lancellotti customizaram o maxixe na saborosa A Brincadeira, cerzida por acordeom, tuba e euphonium. Lula Queiroga assina duas faixas do disco. A irônica Altos e Baixos (“eu sou Jesus/ tirando férias no inferno/ pobre feliz de mim”), com o sobrinho Yuri Queiroga, e o insinuante Pavilhão de Espelhos, a dos timbres mais inusitados, com a kora tocada por Ballaké Sissoko, do Mali, e o cello do francês Vincent Segal, dupla do consagrado disco “Chamber music”. “Um casal de amigos, o brasileiro Marcello Bueno e a francesa Corinne, em Paris, nos apresentou este disco. Eles são produtores de um monte de gente bacana no circuito europeu”, conta Roberta. Para que a dupla fosse incluída, a gravação teve que ser realizada em Recife, onde eles tinham ido participar do festival MIMO. “Ficamos encantados com essa sonoridade diferente e deslumbrante. Além disso, o encontro com músicos do mundo me interessa muito. A gente tinha outra ideia pro ‘Pavilhão’, mas quando eles entraram para gravar levaram a música a um lugar totalmente inesperado. A beleza de fazer um disco mora aí. Há de se abrir espaço para a novidade e a surpresa”, prega.
E eis mais uma: Esquirlas, onde ela dueta com o autor, o uruguaio Jorge Drexler. “Achei que havia chegado a hora de me lançar nesse desafio como intérprete, o de gravar em outra língua. Drexler faz parte dos compositores contemporâneos que admiro e ele me veio com essa inédita. ‘Ahi vá mi voz buscándote muerta de fiebre’ poderia ser o título do disco. ‘Esquirlas’ são estilhaços de bombas, o que forma uma imagem, infelizmente muito corriqueira nos dias de hoje”, conclui. É um momento de reflexão do enredo, onde impera a gandaia. Como no dub/frevo incendiado por sopros No Bolso (“faça silêncio/ a pausa é sua/ que o caos é logo depois da curva”), uma parceria da cantora com o marido Pedro Luís, exceção em sua proposta inicial: “eu não estava compondo o que queria cantar”. A música surgiu de uma conversa caseira. “Trocamos uma ideia e ele veio com essa letra duas horas depois. Sentamos no sofá e terminamos a música juntos. É feita pra pular, para tirar a loucura do mundo do nosso sistema”, define. Ela antecede uma das duas regravações do repertório, o frevo trieletrizado Deixa Sangrar, de Caetano Veloso, lançado por Gal Costa no carnaval baiano de 1970.
“O carnaval de rua sempre fez parte da minha história. Criança, eu saía pintada nos blocos de rua no veraneio em Muriú, no Rio Grande do Norte”, lembra a potiguar radicada no Rio. “Adolescente, gastei muita sola de tênis atrás do trio elétrico. Casei com um dos maiores representantes do carnaval carioca e amo ver o Monobloco. Vou a Recife quase todo ano e o carnaval de rua no Rio cresce a olhos vistos. Adoro essa atmosfera de luxúria, beleza e fantasia com a elegância e o glamour que só existem no carnaval do Brasil”, elogia. “Essa sonoridade do frevo, da marcha é pouco explorada fora do carnaval. E há tempos eu queria gravar algo do Caetano, uma grande referência para mim, principalmente quando se trata de sonoridade em disco. Essa música me foi apresentada pelo Zé Renato. Cantávamos juntos nos bailes pré-carnavalescos com o Trio Madeira Brasil no Clube Democráticos, na Lapa, em 2006 e 2007”, lembra.
Outra regravação é a belíssima No Arrebol, “um jongo com jeito de reggae”, como define Roberta, do mestre do samba e da cultura afro-brasileira Wilson Moreira. “Sou fã do Seu Wilson e queria gravar alguma coisa dele de qualquer jeito. Em 2010, nos aproximamos, fui a casa dele e dona Ângela, sua mulher e anjo da guarda, fez um bobó de camarão pra mim. Tomamos uma cervejinha, ele me mostrou essa pérola e disse que adoraria ouvi-la na minha voz. Foi a primeira música que escolhi. Para mim, é o oásis do disco. No meio do deserto, do mundano, do calor, da agonia, vem essa água fresca. É o lugar que eu almejo, o arrebol é onde eu quero chegar”, suspira. Roberta Sá veste com prazer esta “Segunda Pele”, reveladora e luminosa até para a própria protagonista. “É um disco transformador. Acho que estou mais direta, segura, clara”.
Tárik de Souza
Janeiro 2012
RepertórioSegunda Pele
Lua(Pedro Luís e Mário Sève) – Participação especial de A Parede
Segunda Pele (Carlos Rennó e Gustavo Ruiz)
Bem a Sós(Rubinho Jacobina)
O Nego e Eu(João Cavalcanti)
Altos e Baixos(Lula Queiroga e Yuri Queiroga)
Você não Poderia Surgir Agora (Dudu Falcão)
Esquirlas (Jorge Drexler) – Participação especial de Jorge Drexler
Pavilhão de Espelhos(Lula Queiroga) – Participação especial de Ballaké Sissoko & Vincent Segal
No Bolso (Roberta Sá e Pedro Luís)
Deixa Sangrar(Caetano Veloso)
A Brincadeira(Moreno Veloso, Quito Ribeiro e Domenico Lancellotti)
No Arrebol(Wilson Moreira)
Créditos Segunda Pele
Uma produção MP, B Discos e Universal Music dirigida por Rodrigo Campello
Direção Artística:João Mario Linhares
Direção de Produção:Roberta Sá
Direção de Voz e Coros:Felipe Abreu
Produção Executiva:Fernanda David
Assistente de Produção:Heloisa Marinho
Elaboração e Administração do Projeto:Mariza Adnet
Assistente de Produção Musical:Antonia Adnet
Gravado nos estúdios: MiniStereo (RJ) por Rodrigo Campello, Eber Pinheiro, Renato Alscher, Guilherme Medeiros e Felipe Medeiros; Biscoito Fino (RJ) por Gabriel Pinheiro; Carranca (PE) por Junior Evangelista Assistentes: Anderson Pumba (MiniStereo), Lucas Ariel (Biscoito Fino) e Jorge Romão (Carranca)
Mixado por:Renato Alscher no estúdio Corredor 5 (RJ)
Assistente: Paulo Aiello
Edição Digital por:Mauro Araújo e Fabiano França
Programação de Efeitos: Eber Pinheiro e Renato Alscher
Masterizado no Classic Master por: Carlos Freitas
Imprensa: Palavra Assessoria em Comunicação
Capa:GB65
Direção de Arte: Giovanni Bianco
Fotografia:Gui Paganini
Styling: Daniel Ueda
Make-up: Daniel Hernandez
Tratamento de Imagem: Alex Wink
Produção Executiva:Piera Paula / Studio 65
Mais informações:
Site:www.robertasa.com.br
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Sobre o Natura Musical - É o programa nacional de apoio à cultura brasileira da Natura com foco em música. Atua por meio das frentes: Editais Públicos que visam selecionar projetos de diferentes formatos e estágios da produção cultural por meio das Leis Rouanet ou do Audiovisual; a Seleção Direta que contempla propostas adequadas ao conceito do programa e que são de grande relevância e inovação, sem a obrigatoriedade das leis de incentivo; Festivais em São Paulo e Belo Horizonte; Plataforma Digital que proporciona conexão, interatividade e experiência concreta do público com a música brasileira.
Lançado em 2005, o Natura Musical beneficiou iniciativas de diferentes estágios e processos da música brasileira patrocinando mais de 160 projetos em todas as edições de edital público e seleção direta. Ao todo, 17 estados das cinco regiões do Brasil foram contemplados e mais de 600 mil pessoas beneficiadas. Saiba mais no Portal www.naturamusical.com.br ou nas Redes Sociais do Programa.

